Em Vila Rica surge a questão, é melhor pagar supersalários ou ficar sem médicos?

A denúncia feita pela Radio Comunitária Eldorado FM de Vila Rica, sobre supersalários pagos a dois médicos do município, dividiu as opiniões da população local, e mostrou uma série de fragilidades dos setores de fiscalização do setor.

O fato repercutiu em todo o estado de Mato Grosso, a matéria bem elaborada pela emissora levantou uma série de questões, e mais uma vez mostrou ao lado obscuro da legalidade e da imoralidade nos serviços de gestão publica.

Os salários podem parecer absurdos para o padrão de vida local e também pela não adesão do municipio ao Programa Mais Médicos, que faz parte de um amplo pacto de melhorias no atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde.

Por outro lado à matéria mostrou a dificuldade de encontrar profissionais dispostos a fazerem plantão médico em unidades de pronto socorro no interior, os dois médicos citados no caso dos super salários são o marido da Secretaria Municipal de Saúde e o candidato derrotado pelo atual prefeito nas eleições de 2012.

Nesta quarta feira, dia 04 de setembro, fontes da imprensa constataram que dos 09 médicos aptos para trabalhar no Programa Mais Médicos em Mato Grosso, apenas 02 aceitaram ficar no estado.

A maioria da população se mostra assustada pelos valores pagos aos dois profissionais, porém grande parte diz que se exercesse a medicina, não aceitaria trabalhar, como os dois médicos envolvidos na questão devido à falta de vida social, o Artur e o Nilo moram no pronto socorro, deus me livre disso, disse uma popular ao Jornal da Noticia.

A saúde na cidade sempre esteve envolvida diretamente na questão política, os prefeitos eleitos todos tiveram fortes vínculos com os dois hospitais privados da cidade.

Apesar de imoral, o valor pago aos dois médicos na cidade de Vila Rica é legal, e por isso abre brecha para tal procedimento.

Segundo a prefeitura todas as suas USFs (Unidades de Saúde da Família) possuem médicos, e segundo as fontes os dois médicos citados são os únicos que topam fazer plantão no Pronto Socorro.

Apesar disso tudo, nada justifica a não adesão ao Programa Mais Médicos, do governo federal, onde os profissionais importados vão receber R$ 10 mil por mês de bolsa mais ajuda de custo. 

E na base da Imoralidade protegida pela Legalidade, ficam então duas perguntas - Primeiro o que é melhor, pagar os plantões permitidos em lei aos dois médicos ou deixar o Pronto Socorro sem nenhum profissional? E por segundo onde estavam a Câmara de Vereadores, o Ministério Publico e os Conselhos Municipais que só se atinaram ao caso após denuncia da emissora?

 

Fonte: Jornal da Noticia