Francês é libertado na Indonésia após condenação por tráfico de drogas

 

Michael Blanc e sua mãe  Hélène Le Touzet na prisão de Jacarta, em 19 abril de 2011.
Michael Blanc e sua mãe Hélène Le Touzet na prisão de Jacarta, em 19 abril de 2011.
AFP PHOTO / ROMEO GACAD
O francês Michael Blanc, preso há 14 anos na Indonésia depois de ter sido pego com 3,8 quilos de haxixe, obteve a liberdade condicional nesta segunda-feira (20) após uma longa batalha judicial.O francês tinha sido condenado à prisão perpétua no ano 2000, depois de ser detido pela polícia no aeroporto de Bali, transportando a droga em dois cilindros de oxigênio usados para mergulho submarino. 
 

Na época ele alegou que transportava o equipamento para um amigo e não sabia que a droga estava escondida nos cilindros. A mãe de Michael Blanc, Hélène Le Touzey, nunca parou de lutar pela libertação do filho e em 2008 conseguiu que a pena de prisão perpétua fosse comutada para 20 anos de reclusão.

 

Em mais uma vitória na justiça da Indonésia, um dos países mais rigorosos do mundo na legislação  antidrogas, Michael Blanc, que está com 40 anos, foi libertado.

 

"Ele saiu da prisão. Ele assinou os documentos de sua libertação", declarou Le Touzey, que vive na Indonésia desde a prisão de seu filho. “Estou feliz, feliz, feliz”, afirmou na saída de Michael da prisão de Cipinang, no sul de Jacarta.

 

Libertação pode ajudar brasileiros

 

Segundo a embaixada do Brasil na Indonésia, é difícil avaliar se a decisão favorável ao francês repercutirá no caso dos dois brasileiros detidos no país e condenados à morte por tráfico internacional de drogas.

 

Marco Archer Cardoso Moreira foi detido em flagrante em 2004 ao tentar entrar no país com 13 quilos de cocaína dentro dos tubos da estrutura de uma asa delta.

 

A imprensa do país chegou a noticiar que o carioca seria executado em julho de 2013, o que foi desmentido na época por representantes diplomáticos brasileiros após encontro com autoridades da justiça indonésia.

 

Já o catarinense Rodrigo Muxfeldt Gularte entrou para o corredor da morte após a descoberta de cocaína dentro de uma prancha.

 

Para escapar da morte, os dois brasileiros dependem do indulto do presidente indonésio, Susilo Bam-bang Yudhoyono.

 

O governo brasileiro citou “razões humanitárias” no pedido de clemência encaminhado à presidência indonésia e aguarda uma resposta para que a pena capital seja comutada para pena de prisão.

 

“A situação jurídica ainda não mudou. Houve pedido de clemência junto ao presidente e ainda não há uma resposta de quando o caso será analisado”, afirmou à Rádio França Internacional um representante diplomático da embaixada brasileira em Jacarta.

 

Segundo a diplomacia brasileira, o assunto vem à tona “sempre que é possível”, durante em encontros com as autoridades indonésias, mas a pressão deve ser exercida de maneira discreta porque o tráfico de drogas é um tema delicado no país.

 

Recentemente, uma australiana, detida por porte de maconha, teve a pena de 20 anos de prisão reduzida, o que gerou muitos protestos. 

 

“A percepção de muitos indonésios foi de que o governo tinha ‘se curvado’ diante de uma potência”, contou o diplomata brasileiro.

 

A Indonésia é quarto mais populoso do mundo com cerca de 230 milhões de pessoas, sendo a maioria da população (87,2%, segundo dados de 2010) formada por muçulmanos. 

 

RFI