Grupo mata três seguranças e rouba dois carros-fortes em Goiás, diz PRF

03/12/2014 09:53

Quadrilha usou caminhão para bloquear a BR-153, no sul do estado.
Homens fugiram e abandonaram carro na rodovia, que foi interditada por 3h.

Quadrilha rouba dois carros-fortes na BR-153, entre Morrinhos e Goiatuba, em Goiás (Foto: Arquivo Pessoal/Luciano )Trecho da BR-153, entre Morrinhos e Goiatuba, foi interditado (Foto: Reprodução/TV Anhanguera )

Três seguranças morreram durante um assalto a dois carros-fortes, na tarde desta segunda-feira (1º), na BR-153, entre Morrinhos e Goiatuba,  no sul de Goiás. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), um grupo de aproximadamente 10 pessoas fortemente armadas utilizou um caminhão para bloquear a rodovia e fazer com que os veículos parassem.

Os assaltantes usaram explosivos para arrombar os carros-fortes. De acordo com o delegado de Morrinhos,  Cláudio Andreias, a quadrilha tentou explodir um terceiro veículo, mas a detonação falhou. Ele informou que está apurando se outros seguranças foram feitos reféns.

Um vídeo feito por um fazendeiro que passava pelo local momentos depois da explosãomostra o trânsito lento no local. Nas imagens, é possível perceber que as portas dos veículos foram arrombadas e os veículos ficaram atravessados na pista.

Um homem, que presenciou o assalto, mas preferiu não se identificar, disse que houve forte troca de tiros no local. “Uns já chegaram atirando e os outros atravessaram [o caminhão na pista] para eles não voltarem para trás. Ficou todo mundo escondido lá atrás, porque já chegaram dando tiro”, disse.

Ainda segundo o motorista que presenciou o crime, o grupo conseguiu levar o dinheiro dos veículos. “Pelo tanto de vezes que eles foram e voltaram [aos veículos], eles conseguiram levar bastante [dinheiro]”, completou.

A Polícia Técnico-Científica já começou a periciar o local em busca de pistas que possibilitem a identificação e localização dos criminosos. Porém, o trabalho será complexo devido à quantidade de objetos, estilhaços e armamentos que ficaram no local. Próximo aos carros-fortes, também foram encontrados explosivos que teriam sido usadas para abrir os veículos.

O trecho da rodovia ficou parcialmente interditado por cerca de 3 horas. Não há informações sobre a quantia que era transportada nem o valor levado.

A PRF está patrulhando a área com o apoio da Polícia Civil de Grupo de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer) para tentar localizar os criminosos. Durante as buscas, um veículo, que foi usado pela quadrilha, foi abandonado às margens da rodovia durante a fuga. Até o momento, ninguém foi localizado ou preso.

Atualização em 02.12 às 22h

Um homem, que não quis se identificar, filmou parte da ação da quadrilha que, fortemente armada, explodiu dois carros-fortes e matou três seguranças na BR-153, entre Morrinhos e Goituba, no sul de Goiás. No vídeo é possível ouvir os disparos dasarmas. As imagens mostram ainda a fuga dos suspeitos, em duas caminhonetes. Até o momento ninguém foi detido.

A ação durou, segundo a Polícia Civil, exatamente 26 minutos e 30 segundos e ocorreu na tarde de segunda-feira (1º), quando três carros-fortes levavam dinheiro para uma agência bancária da região sul de Goiás. A quadrilha utilizou um caminhão para bloquear a rodovia e fazer com que os veículos parassem na BR-153, entre Morrinhos e Goiatuba. Dois dos três veículos foram explodidos.

O chefe do Grupo Antirroubo a Banco da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), Alex Nicolau Nascimento Vasconcelos, informou que o grupo era composto de oito a dez pessoas e usou armamento de uso exclusivo do Exército na ação. Eles portavam metralhadoras calibre .50 e fuzis calibre 556 e 762.

"Essas armas são de guerra, daria para furar um tanque de guerra. Eu não sei manusear. Então, são pessoas bem definidas, especializadas neste tipo de crime", disse o delegado em entrevista coletiva, nesta terça-feira (2).

Delegado Alex Vasconcelos mostra balas usadas por quadrilha em Goiás (Foto: Paula Resende/ G1)Delegado Alex mostra balas usadas por quadrilha
(Foto: Paula Resende/ G1)

Em contrapartida, os doze seguranças da empresa especializada em transporte de valores estavam armados com revólver calibre 38, espingarda calibre 12 e carabina de calibre 38. "É uma luta completamente desigual", ressaltou o delegado.

Violência e ousadia
A polícia acredita que os seguranças que morreram foram baleados no momento da abordagem. "Eles dispararam no sentido de matar os motoristas e acertar o motor dos carros", informou Alex. Além dos três funcionários mortos, outros nove foram rendidos pelos criminosos, mas foram libertados depois da ação, sem ferimentos.

A polícia se surpreendeu com a violência e o planejamento da quadrilha. “Modus operandi ousado, peculiar, a gente não sabe o motivo que os levaram a tamanha agressividade. Contudo, a gente sabe que três vigilantes foram covardemente assassinados e vamos tentar apurar o motivo que levou a quadrilha a fazer esse tipo de ação dessa forma", disse o delegado.

Investigação
Os criminosos fugiram em duas caminhonetes roubadas, que foram abandonadas a 25 km do local do crime, em uma estrada vicinal em Buriti Alegre. Segundo a polícia, dentro de uma delas ainda havia explosivos.

Conforme o delegado, a polícia ainda não definiu nenhuma linha de investigação. “Não descartamos que um funcionário da empresa tenha ajudado a quadrilha, não descartamos que tenha policiais envolvidos, não descartamos nenhuma possibilidade”, afirmou.

O delegado informou que está trocando informações com policiais de São Paulo, Mato Grosso, Tocantins e Paraná para identificar o grupo. “É um contato de praxe, as quadrilhas migram, não atuam em apenas um estado”, explicou.

Por enquanto, não há a confirmação do estado de origem do grupo. Os vigilantes que sobreviveram não notaram nenhum sotaque característico dos criminosos.

Durante a semana, a polícia deve ouvir novas testemunhas e continuar com as diligências. No local do crime, os policiais recolheram dinheiro que ficou caído na rodovia, explosivos e armamento. Não há informações sobre a quantia que era transportada nem o valor levado.

Os corpos das vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico Legal de Morrinhos. Até o início desta tarde, eles ainda não haviam chegado a Goiânia.

 

Escrito por Vitor Santana - G1 GO

Ver vídeo da reportagem AQUI

Ver vídeo da ação AQUI