Índios levam barcos e carros de Dsei em MT para cobrar melhoria na saúde

 15/10/2014 - Índios levam barcos e carros de Dsei em MT para cobrar melhoria na saúde (Atualizada)

Dois barcos, um caminhão e um carro de passeio foram levados em protesto. Funcionários deixaram a sede do Dsei após supostas ameaças de invasão.

 

Um grupo de índios da etnia Karajá invadiu nesta terça-feira (14) a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), em São Félix do Araguaia, a 1.159 km de Cuiabá, e levou dois barcos, um carro de passeio e um caminhão, de propriedade da instituição, para a Aldeia Fontoura, que fica na Ilha do Bananal, no Tocantins. Eles cobram uma reunião com um representante do Ministério da Saúde e, por esse mesmo motivo, sequestraram, na semana passada, o coordenador do Dsei de São Félix do Araguaia.

No momento em que os índios pegaram os veículos que estavam no pátio do Dsei não havia ninguém no prédio. Um dos funcionários da instituição havia informado ao G1 no início da manhã que os índios tinham ameaçado ir até o local em protesto contra o resgate do coordenador, Milton Martins de Souza. Desse modo, eles deixaram o local antes da chegada do grupo.

Milton deixou a aldeia Fontoura na noite desta segunda-feira (13) com a ajuda de funcionários do Dsei de São Félix do Araguaia, que foram até a Ilha do Bananal de barco para resgatá-lo. Para ter acesso à aldeia, onde o coordenador estava em poder dos indígenas desde quinta-feira (9), é preciso navegar pelo Rio Araguaia, entre Mato Grosso e o estado vizinho.

Um dos líderes indígenas, Samuel Karajá, informou que os barcos e os veículos foram levados para a aldeia Fontoura e que só devem ser liberados após reunião com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde. Os indígenas reivindicam, principalmente, melhorias na saúde, já que, segundo eles, faltam medicamentos nas unidades. Ainda segundo Samuel o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, entrou em contato com eles por telefone e teria prometido ir até a comunidade nesta terça-feira. "Agora que o coordenador deixou a aldeia, eles não vão mais querer vir conversar com a gente", avaliou.

A assessoria de imprensa da Secretaria Geral da Presidência informou que o secretário está em férias e o substituto dele está no Amazonas, onde participa de uma cerimônia de assinatura de um convênio de agroecologia. Alegou ainda que nenhuma reunião está prevista pelo secretário em exercício com os indígenas da região Araguaia.

Além da realização de licitação para a compra de remédios, eles cobram a renovação de contratos dos pilotos de embarcação responsáveis pelo transporte de pacientes da Ilha do Bananal para São Félix do Araguaia, cidade mais próxima. Os contratos, conforme o líder indígena, já venceram há mais de dois meses e os pilotos, boa parte deles índios, estão trabalhando sem receber salário.

Os índios alegam que muitas pessoas morrem por falta de remédios nos postos de saúde. Alguns deles, Luiz Carlos Mauri Karajá, comprar medicamentos com o dinheiro do próprio bolso, mas aqueles que não tem condições financeiras de adquirir a medicação acabam perecendo.

Na sexta-feira (10), o Ministério da Saúde disse, por meio de nota, que o secretário especial de Assistência à Saúde Indígena, Antônio Lopes, iria se reunir com os índios somente se liberassem o coordenador do Dsei.

De acordo com um dos líderes do movimento Edmilson Karajá: “A questão da saúde que ta muito precária. Não tem carro, remédio, é um desespero. São não sei quantos milhões de reais, mas os recursos tão sendo aplicados aonde?”, questionou. “Estamos reivindicando nosso direito. As crianças estão morrendo e nós temos como provas com as certidões de óbito. Isso é um grito de socorro dos povos Karajá que estão sofrendo”, desabafou o líder, Edmilson.


 

 

Com informações de Vanessa Lima/O Repórter do Araguaia para Pollyana Araújo do G1 MT

Fotos Néia Rondon/O Repórter do Araguaia