Interpol localiza Ida com os pais biológicos na Itália; garota foi sequestrada de família adotiva em Cuiabá

Para o delegado Flávio Stringueta, a menor não será extraditada para o Brasil, já que não tem nacionalidade brasileira.


DA REDAÇÃO

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Ela foi sequestrada por dois homens armados, na casa da família adotiva, no bairro do Porto, em Cuiabá, na tarde do dia 26 de abril de 2013.

A criança Ida Verônica, de 9 anos, foi localizada pela Interpol, em uma operação conjunta com a Polícia Federal, na cidade de Cassola, na Itália. A menor está com os pais biológico e não será extraditada para o Brasil. Ela foi sequestrada por dois homens armados, na casa da família adotiva, no bairro do Porto, em Cuiabá, na tarde do dia 26 de abril de 2013.

Desde então, o delegado da Polícia Civil, Flávio Stringueta, do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO), começou as buscas pela menina, mas o Ministério Público Estadual (MPE) encerrou as investigações, após o término do prazo de conclusão do inquérito. A dona de casa, Tárcilia Gonçalina, não tinha a guarda definitiva da garota.

Ao RepórterMT, Stringueta, afirmou que acha difícil a menina ser extraditada para o Brasil, já que possui apenas nacionalidade dominicana e italiana.  O delegado não soube dizer como foi a ação da Polícia para localizar a garota.

De acordo com ele, a localização da menina com os pais, já era esperado.  Porque em agosto de 2013, os policiais conseguiram obter uma foto da menina junto com a mãe biológica, a dominicana Élida Isabel Feliz, em um local que seria o Caribe. O pai biológico, o italiano Pablo Milano Escafulleri, também estaria vivendo com a mulher e a filha.

Também ao RepórterMT, a irmã adotiva, Daniele Siqueira, disse que a família ficou feliz com a notícia, principalmente a mãe, dona Tarcília. “Minha mãe deve ir na Polícia Federal para a gente ficar a par do ocorrido. Ainda não sabemos o que vamos fazer e nem o que podemos fazer para trazer ela (Ida) para Cuiabá”, destacou.

O SEQUESTRO

Ida foi sequestrada na própria casa, localizada no bairro Porto, em Cuiabá. A criança estava com a irmã Daniele Siqueira. De acordo Daniele, dois homens bateram palmas querendo saber se o terreno perto da casa estava à venda.

Depois de saber a informação, os sequestradores pediram um copo com água para Daniele, que foi buscar. Quando voltou, os bandidos renderam a moça e anunciaram o sequestro de Verônica.

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Polícia chegou de fazer retrato falado dos dois criminosos que sequestraram menina.

O CASO

Em uma entrevista ao RepórterMT, dona Tárcilia explicou que a filha Daniele conheceu Ida, quando ela tinha apenas três anos de vida. Segundo a mãe adotiva, a filha presenciava os maus tratos da mãe biológica à criança constantemente. Com isso pediu para mulher que deixasse criar Ida.

“Muitas vezes a Elida Isabel Feliz (dominiquenha) a largava dentro do quarto do HOTEL, com apenas três meses de vida, no carrinho de bebê. Minha filha a alertou que não podia deixar a criança sozinha, mas isso não surtiu efeito. Um dia ela disse para a gente que não se importava se levássemos a criança. Por isso, passávamos a cria-la”, disse.

Tarcilia contou que a mãe biológica de Ida desaparecia constantemente e já passou três meses sem dar notícias e, quando voltou a procurar a filha, o  pai biológico da menina, italiano Pablo Milano Escarfullerida, já estava preso por tráfico de drogas. 

Quando Ida tinha quase três anos de vida, uma mulher que se dizia amiga da mãe biológica, identificada como Eliane, começou a ligar para Tarcilia, dizendo que queria conhecer a menina. Após insistir nas ligações, a mãe adotiva aceitou o encontro, mas pediu que um advogado acompanhasse. 

Ao chegar no Aeroporto Marechal Rondon, local onde o encontro foi marcado,  Eliane apresentou uma carta, que dizia ser de Isabel. Na carta a mãe biológica da menina autorizaria Eliane criar a criança. Rapidamente, Tarcilia mandou buscar na sua residência uma carta antiga, que Isabel havia mandado. Ao comparar a letra das duas cartas, foi constatado que o documento era falso. 

 

“Na discussão o juiz que estava de plantão no aeroporto determinou que Ida fosse para o Lar da Criança (entidade mantida pelo governo do estado). Só depois de meses de sofrimento que conseguimos a guarda provisória dela”, completa Tarcilia.

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Mãe adotiva emocionada durante entrevista ao RepórterMT.