Jovem com leucemia faz campanha na web para achar doador de medula

19/09/2013 07:32

Pollyana Araújo - Do G1 MT

Pela dificuldade em encontrar um doador de medula óssea compatível, a bióloga Nádia Andrade, de 28 anos, começou há cerca de um mês uma campanha pela internet, através de sua página em um site de relacionamento. Até agora, já conseguiu a confirmação de 300 pessoas para fazer o exame de compatibilidade. Ela descobriu há mais de um ano que estava com leucemia miolóide crônica e, por conta do tratamento intenso contra a doença, a moradora de Barra do Garças, a 516 quilômetros de Cuiabá, não pôde mais trabalhar para se dedicar integralmente a esse tratamento.

Ela disse aguardar ansiosamente por uma doação de medula, única forma de ser curada. “Uma pessoa compatível já me salva, mas para achar é uma em 100 mil”, avaliou. Nádia afirmou que o resultado da campanha está sendo satisfatório, pois muitos já se comprometeram em fazer o exame.

“Comecei a campanha assim que soube que uma equipe do Centro de Hemoterapia de Goiânia iria fazer o cadastramento dos doadores em Aragarças (cidade que pertence ao estado de Goiás, mas que faz divisa com Barra do Garças) para mobilizar interessados em fazer a doação e explicar melhor sobre a doença, porque muitos não têm muita informação a respeito”, contou. O cadastramento está previsto para ser feito nos dias 28 e 29 deste mês, somente em Aragarças.

Nádia chegou a passar por uma cirurgia de retirada do apêndice após diagnóstico equivocado de apenditicite, em um hospital de Barra do Garças. “Em fevereiro do ano passado, passei muito mal. O médico achou que estava com apendicite e fez a cirurugia para a retirada do apêndice. Fiquei oito dias internada e depois, no mês seguinte, fui para Goiânia, onde procurei um hematologista e descobri que estava com a doença”, explicou.

Nádia se casou um mês após descobrir que estava com a doença (Foto: Arquivo pessoal)

Nádia se casou um mês após descobrir que estava com a doença (Foto: Arquivo pessoal)

Com isso, ela permaneceu dois meses na capital goiana. “No início foi muito difícil. Minha vida mudou completamente”, frisou. O diagnóstico foi dado quando faltava um mês para o casamento dela. Como já estava tudo agendado, Nádia disse que preferiu não cancelar os proclames e tudo transcorreu normalmente, apesar de estar abalada emocionalmente após a descoberta da doença. “Estou casada há um ano e meio e, por enquanto, em razão da doença, não poderemos ter filhos”, afirmou.

Ela concluiu o curso de biologia no ano passado, mas disse que não tem condições de trabalhar porque viaja para Goiânia a cada 15 dias, cuja distância é de 415 quilômetros. Segundo a jovem, pelo menos 500 pessoas se sensibilizaram com a causa e manifestaram interesse. Podem fazer a doação pessoas de 18 a 54 anos e estar em boas condições de saúde. Deve-se deixar uma amostra   de  5 ml de sangue, que será enviado para um banco nacional de cadastrados. Não há peso mínimo e não é preciso estar em jejum.

“Vamos nos colocar um pouco na pele do outro, se a gente tentasse, eu disse tentasse sentir a dor do próximo, as coisas seriam mais fáceis, eu digo se a gente tentasse, porque ninguém sabe o tamanho da dor até sentí-la”, diiz trecho de uma das postagens dela em um site de relacionamento.