Petróleo e gás: Gasolina no Brasil está mais cara do que no exterior

Segundo relatório do banco Credit Suisse, preço do combustível no mercado internacional está 1% menor, devido à queda acentuada no preço do petróleo

Posto BR em Brasília

Gasolina: queda do preço do petróleo reduziu a defasagem (Antonio Cruz/AB/VEJA)

A gasolina vendida pela Petrobras às distribuidoras de combustíveis no Brasil está mais cara do que a média de valores realizados no mercado externo, apontou um relatório do banco Credit Suisse, nesta terça-feira. O movimento foi provocado pela queda acentuada do preço do petróleo, que não foi repassada aos consumidores brasileiros. 

Segundo analistas do banco, o preço da gasolina no mercado internacional está 1% menor do que os valores praticados no mercado brasileiro, invertendo dramaticamente uma situação de defasagem que se arrastava desde 2011. Com a subida do preço do barril de petróleo nos últimos dois anos, os reajustes nos preços de combustíveis vinham sendo controlados pelo governo como forma de impedir, indiretamente, seu impacto na inflação. Com isso, a Petrobras vinha absorvendo todo o ônus da variação internacional, já que os reajustes praticados pela estatal não chegavam perto da oscilação real. Em 25 de setembro, a diferença entre os preços internacionais da gasolina e os domésticos estava em 24,3%.

Caso a situação se mantenha, pode trazer certo alívio para o governo, que vem sendo cobrado pelo mercado para autorizar reajustes nos combustíveis, para que a Petrobras venda gasolina nos patamares do mercado global. A inversão na defasagem, segundo a instituição, foi movida principalmente pela redução de 19,2% do preço da gasolina no mercado externo.

No exterior, os preços dos combustíveis flutuam seguindo as cotações do petróleo, diferentemente do Brasil, que são controlados pelo governo, o sócio majoritário da Petrobras.

Exportações - A anulação da defasagem é positiva, mas o cenário de preços baixos pode prejudicar a empresa, já que a queda do preço do barril do petróleo reduz sua receita de exportações.

O petróleo tipo Brent já recuou cerca de 25% desde junho, quando conflitos envolvendo o Iraque elevaram os preços para cerca de 115 dólares por barril. Nesta terça-feira, o petróleo Brent fechou a 85,04 dólares, queda de 4,33%, enquanto o petróleo nos Estados Unidos fechou a 81,84 dólares por barril, queda de 4,55%.

 

Escrito por VEJA

(Com agência Reuters)