Projeto encerra o ano com atendimento a quase 200 adolescentes

Iniciativa foi criada por agentes penitenciários de Campo Novo dos Parecis para levar noções de disciplina, respeito e atitudes cívicas a crianças do município

Raquel Teixeira Sejudh-MT 
 

Sejudh
 

João é um adolescente que tinha muito medo de altura e fazer arvorismo ou praticar atividades em lugares altos era para ele uma tortura. Desde que começou a participar do projeto Agente Mirim, em Campo Novo dos Parecis, o adolescente começou a se sentir mais seguro, a participar de diversas atividades que o estimularam a superar o medo e adquirir autoconfiança. Desde então, ele se tornou um dos mais atuantes da turma do projeto que encerra o segundo ano com quase 200 crianças e adolescentes que foram retiradas de situações de risco e vulnerabilidade na cidade.“Passei a fazer exercícios, a correr, a fazer atividades que me ajudaram a esquecer o medo que eu tinha. Foi muito bom”, diz o pequeno João.

O Agente Mirim foi idealizado por agentes penitenciários de Campo Novo dos Parecis e nasceu da vontade de um grupo em fazer algo para ajudar o público infanto juvenil do município. O projeto formou neste ano 120 crianças e adolescentes e outras 75 são da primeira turma iniciada do ano passado.

Fábio Aguiar é agente penitenciário e coordena o projeto. Ele explica que a base é o desenvolvimento de noções de respeito e disciplina levadas aos alunos por meio de atividades esportivas e educativas. Os agentes da unidade prisional do município participam do projeto conforme a área de formação de cada um, colaborando com o processo de aprendizado. “Orientamos sobre valores morais e dessa forma mostramos caminhos diferentes ao da criminalidade. Os pais nos procuram para que a criança faça parte do projeto e muitos deles estão agradecidos pela forma como o filho mudou de comportamento, tem mais responsabilidade”, afirma o agente.

A adolecente Brisnis Callegaro, 14 anos, entrou na primeira turma do Agente Mirim e hoje é líder no projeto. “Entrei por curiosidade para saber como era. Gostei muito das atividades, de conhecer outros lugares, outras pessoas. E isso ajudou muito no meu relacionamento com minha família”.

Fábio destaca que o auxílio dos pais e apoio do empresariado local, Conselho Tutelar e Conselho Municipal da Criança são fundamentais para a continuidade do projeto. “Tivemos apoio irrestrito de colegas de outras unidades, com a construção de duas salas, onde o projeto é executado. E queremos continuar as atividades em 2018, pois tem dado muito certo e estamos tendo procura de pais de outras cidades próximas”.

O secretário adjunto de Administração Penitenciária, Emanoel Flores, participou do encerramento das atividades deste ano e observa o empenho dos agentes penitenciários no projeto social. "Uma iniciativa brilhante em que os agentes se uniram para colaborar com a instrução de dezenas de crianças que têm uma oportunidade de não ficar nas ruas, expostas a situações de risco".