Suspeito de aterrorizar Goiás diz que número de vítimas foi maior

Tiago foi preso na terça-feira (14) à noite depois de sete meses de investigações da polícia. Ele depôs em companhia do advogado.

 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O vigilante Tiago Rocha, assassino confesso de dezenas de pessoas em Goiânia, deu uma entrevista à repórter Patrícia Bringel. Um dos delegados que acompanham o caso também estava na sala. Tiago foi preso na terça-feira à noite depois de sete meses de investigações da polícia. Tiago depôs em companhia do advogado. E sem camisa, por causa do calor.

 Repórter : A primeira vítima que você fez? Você fez por alguma motivação?
 Tiago : A motivação era a raiva mesmo. Tinha que pôr para fora. Eu tentei fazer outras coisas.
 Repórter : Quando começou a não ter controle sobre essa raiva? Você lembra do dia mesmo?
 Tiago : 22 anos por aí.
 Repórter : Era incontrolável? Na sua cabeça são quantos?
 Tiago : Pode ser 41, não sei.
 Repórter : Perdeu as contas
 Tiago : Não estou lembrado
 Repórter : Quando você sentia essa raiva, você ia em alguém que conhecia ou era aleatório? Tinha algum critério?
 Tiago : Desconhecido.
 Repórter : Chegava a falar ‘a primeira pessoa que vou encontrar’?
 Tiago : Não
 Repórter : E se tivesse o homem e a mulher? Por que você preferia atirar na mulher?
 Tiago : Não tem nada a ver não.

Tia go também contou que não tinha um padrão para escolher as vítimas.

Tiago: No primeiro já fiquei assustado, mas não tem jeito, a coisa vem e tem que fazer.
Repórter: O que vem?
Tiago: Não dá para explicar. Uma raiva muito grande. Não tinha um padrão só não. Eu cogitava por um tempo e fazia.
Repórter: Cogitava por quanto tempo?
Tiago: Uns dias.
Repórter: Por que acertava o peito? Tem alguma relação?
Tiago: Não tem relação.

Tiago falou da infância e de abusos que teria sofrido de um vizinho e de colegas de escola.

Tiago: Sofri muito bullying na escola por ser mais caladinho, mas não sei se isso tem relação com alguma coisa. Teve agressão verbal, física, vai acumulando.
Policial: Tiago, você foi abusado quando criança?
Tiago: Sim.
Policial: Por quanto tempo?
Tiago: Um mês mais ou menos. Um vizinho de casa.
Repórter: Sua mãe sabia? Falou alguma vez?
Tiago: Fui forçado, ameaçado, tinha 11 anos. Eu nunca contei para ninguém. Fiquei na minha, calado.

Ele também falou sobre o que sentia ao praticar os crimes.

Tiago: Se for uma doença, queria saber qual é, e se tiver cura também, saber se posso ser curado ou não.
Repórter: Ficava feliz em ver o noticiário no outro dia no jornal?
Tiago: Feliz não. Ficava com sentimento de arrependimento. Eu pediria perdão, mas eu acho que é difícil pedir perdão nessa hora.

O advogado de Tiago Rocha disse que o vigilante precisa de tratamento.

“Ele continuou confessando, com riqueza de detalhes os crimes, que já tem a balística que comprova que ele foi o autor. A arma dele que foi feito o disparo. Uma pessoa que tem um transtorno. Ele é um doente mental. Ele é doente. Um doente tem que ser tratado”, afirmou o advogado Thiago Huáscar.

 

Por: http://g1.globo.com