Xavantes estão felizes na sua terra, mas ainda precisam de remédios

19/04/2014 12:06

19/04/2014 - Xavantes estão felizes na sua terra, mas ainda precisam de remédios

O bispo emérito de São Félix do Araguaia, Pedro Casaldáliga, em entrevista ao Rdnews, garante que os Xavantes, que recuperaram suas terras na gleba da Suiá Missu, estão felizes, mas cobram mais estrutura por parte da Fundação Nacional dos Índios (Funai). Para Casaldáliga, hoje, a Fundação e o Incra são órgãos secundários dentro da União, que precisa investir mais. “Xavantes me visitaram e reclamam que não têm remédios”, alerta. A reportagem procurou a secretaria especial da Saúde Indígena (Sesai) para saber sobre os investimentos do setor, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.

Já a Funai garante que está dando apoio aos índios e classificou como “lastimável” o estado de degradação ambiental da gleba da Suiá Missu, que até 2012 era ocupada por produtores rurais. Conforme a Fundação, há dificuldade para o mapeamento de locais de coleta e caça, assim como de abertura de novas aldeias. E, exatamente por isso, estão sendo executadas ações de gestão ambiental e territorial.

Os Xavantes também já deram início ao processo de perambulação no território para o reconhecimento da área devolvida a etnia para a criação da Terra Indígena Marãiwatsédé. Ainda conforme a Funai, desde 2011, são executados projetos de plantio de mudas nativas para produção de alimentos voltados ao autoconsumo. Os Xavantes fazem ainda a atividade de enriquecimento de quintais com mudas de plantas frutíferas.

Até agora, já foram entregues 15.874 mudas de diversas espécies aos Xavantes de Marãiwatsédé. A Funai lembra ainda, que até a desintrusão, os índios podiam usufruir de apenas 10% da reserva indígena, que tem 165 mil hectares. Sendo assim, não conseguiam promover a coleta de frutos e de matérias primas nativas para caçar.

Conforme a Funai, existem pelo menos 1.945 indígenas, sendo 1.009 homens (51,9%) e 936 mulheres (48,1%). Os dados são do censo de 2010, último realizado pelo IBGE. Ex-moradores da Gleba Suiá Missú reclamam que, mesmo com a desocupação, os índios não transitam pelo local e/ou utilizam a área para plantio. A Funai, por sua vez, reforça que a “conclusão” da Operação Tsa’Ãmri, que retirou os não índios do local ocorreu entre dezembro de 2012 e janeiro e 2013, mas que o território continuou vulnerável, tendo em vista que houveram novas invasões em janeiro e fevereiro deste ano, sendo necessário o retorno das forças policiais. “Nesta exata data, contamos com, além da equipe da Funai, apenas a PF”, reforça a Fundação, por meio de nota encaminhada ao Rdnews.

Impasse

O governo federal retirou produtores rurais que estavam na região do Posto da Mata em dezembro de 2012, após uma longa briga judicial. Acontece que eles estavam no local desde 1992, quando a área, que pertencia a Agipi Petróli, começou a ser loteada e vendida. Acontece que, posteriormente, a gleba foi decretada como área indígena pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. De um lado, Ministério Público federal e Funai alegam que eles são posseiros, já os produtores garantem que pagaram pelas terras e que têm direito sobre elas e/ou que precisam ser indenizados.

 

 

Patrícia Sanches