Candidatos pagavam até 4 mil para 'tirar' carteira sem passar por testes

06/12/2018 09:46

06/12/2018 - Candidatos pagavam até 4 mil para 'tirar' carteira sem passar por testes

Esquema de fraudes na obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), alvo da operação “Mão Dupla”, deflagrada nesta quarta-feira (5), pela Polícia Civil, investiga pagamentos de valores que variavam de R$ 1 mil a R$ 4 mil para aprovações sem a necessidade de testes.  

 

Os valores, que podiam variar de acordo com a condição financeira do candidato, eram pagos aos representantes das autoescolas, que por sua vez repassavam aos servidores da banca examinadora do Detran. A afirmação é embasada em depoimento de 21 candidatos interrogados pela Civil.   

 

A mão dupla investiga crimes de corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos no sistema Detrannet e organização criminosa. 

Operação Mão Dupla

A operação cumpre 60 ordens judiciais, sendo 25 mandados de prisão preventiva e 35 buscas e apreensões nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, São Félix do Araguaia, Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Tangará da Serra, Juína e Rondonópolis. Os mandados foram expedidos pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá.   

 

Do total, 20 servidores do Detran-MT (Cuiabá e Tangará da Serra) e 15 particulares em colaboração, que são instrutores e donos de autoescola, com atuação conjunta de  servidores que montaram um “verdadeiro balcão de negócios” dentro do órgão para o comércio de CNH’s.  

 

 As investigações iniciaram com informações repassadas pela Coordenadoria de Fiscalização de Credenciados do  Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), e denúncias que chegaram à Especializada, sobre a venda ilícita de Carteira Nacional de Habilitação (CNH).   

 

A organização criminosa operava no agenciamento de candidatos que não detém capacidade técnica, para serem aprovados nos exames práticos e teóricos de direção veicular. Eles eram cooptados a fazer o pagamento da CNH, sem necessidade de realizar os testes, apenas assinavam as listas de presença e os laudos de provas. Após iam embora sem realizá-los.     

 

Os valores, que podiam variar de acordo com a condição financeira do candidato, eram pagos aos representantes das autoescolas, que por sua vez repassavam aos servidores da banca examinadora do Detran.   

 

Segundo a apuração, os examinadores usavam proprietários ou instrutores de centros de formação de condutores (autoescolas) como intermediários, os quais ofertavam os serviços para os clientes, fazendo a arrecadação do dinheiro, e, em alguns casos, repassando a parcela do examinador, “agindo de forma organizada e estruturada para o cometimento das fraudes apuradas, desrespeitando as regras e os procedimentos necessários para a obtenção da CNH.   

 

Com base nas confissões e outros elementos de prova, a apuração confirmou que 30 candidatos foram beneficiados com as fraudes.  

(Com informações da assessoria de imprensa)

Redação do GD