Mulher internada com hemorragia foi operada por médico investigado por morte de esteticista

13/07/2018 09:32

Eduardo Santos Montoro realizou as cirurgias da paciente internada com hemorragia nesta semana e também de Daniele Bueno, que sofreu hemorragia após plástica e morreu em maio.


DA REDAÇÃO

O advogado de defesa do programa Plástica para Todos, Alex Cardoso confirmou ao Repórter MT, que o médico de Sorocaba (SP), Eduardo Santos Montoro foi o responsável pelas cirurgias plásticas da paciente M.J.O.U. internada no Hospital São Matheus, por sofrer hemorragia, após cirurgia de abdominoplastia, no dia 07 de julho e também da esteticista Daniele Bueno, que morreu em maio vítima de hemorragia e complicações após cirurgias de mamoplastia e abdominoplastia.

Conforme apurou o Repórter MT, o médico é cirurgião plástico, mas não tem licença do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM) para atuar no Estado. A situação irregular já havia sido denunciada no mês de maio, pela presidente do CRM, Maria de Fátima Carvalho Ferreira, que abriu procedimento investigativo.

A mulher operada no último dia 07 está internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Mateus, desde que procurou a unidade com sangramento, o que conforme nota da Presidência do programa Plástica para Todos é considerado normal pelo tipo de cirurgia realizada.

A defesa nega negligência e alega que o médico é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, portanto estaria apto para realizar as cirurgias. Sobre o fato do cirurgião não ter licença para operar em Mato Grosso, o advogado informou que o pedido de liberação foi feito ao CRM.

Além da mulher internada no São Mateus outra paciente do Plástica para Todos está internada na UTI da Santa Casa de Misericórdia também por complicações. O responsável pelas cirurgias dela é o médico João Fernando Melo, que é da cidade de Porto Alegre.

N.R.D.C. passou por cirurgias de mastopexia com prótese, lipoescultura e abdominoplastia no dia 26 de junho. O Plástica para Todos não revelou quais as complicações sofridas por ela e informou apenas que foi uma intercorrência inerente a qualquer tipo de cirurgia, alegando que a paciente foi encaminhada e acompanhada pela equipe médica do programa e do Hospital Militar para melhor acompanhamento no Hospital Santa Casa. 

O CRM alegou que o sistema estava fora do ar e por isso não conseguiu informar se o profissional possui registro de especialidade médica para trabalhar no Estado com cirurgias plásticas.

“Todos estão devidamente registrados no CRM, com as suas respectivas especialidades para atuar nos procedimentos estéticos”, reiterou o advogado.  

As denúncias mais recentes contra os procedimentos realizados pelo Plástica para Todos foram feitas na quarta-feira (11) pela Sociedade Mato-grossense de Anestesia (Soma).

A entidade afirma que a empresa idealizadora do programa atua de maneira ilegal, agindo como uma espécie de intermediadora na captação de clientes por meio de anúncio nas redes sociais.   

A Soma detalha que depois que o serviço é vendido, a empresa contrata um médico de modo aleatório para fazer as cirurgias plásticas e acrescenta ainda que o serviço é oferecido de maneira ilegal e antiética.

Morte após cirurgia

Os casos chamam a atenção devido à morte da esteticista Daniele Bueno, em maio.

Ela foi internada em estado grave no Hospital Sotrauma, de Cuiabá, após fazer cirurgias de lipoescultura e mamoplastia no Hospital Militar, em Cuiabá, pelo programa Plástica Para Todos.

Daniele estava sofrendo uma hemorragia quando foi internada no Sotrauma. Em seguida, ela teve uma parada cardíaca e morreu.

A esteticista pagou cerca de R$ 7 mil para realizar os dois procedimentos pelo programa Plástica para Todos.

Conduta criminosa

A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investigou a morte de Daniele.

O laudo do Instituto de Médico Legal (IML), segundo a delegada Alana Cardoso, apontou conduta criminosa na morte da esteticista. Alana enfatizou que o caso não foi uma fatalidade.

A delegada explicou, no entanto, que o documento não identifica erro médico durante os procedimentos.  Uma investigação irá apurar detalhes do caso.