Necessidade de abastecimento em Banco de Sangue é constante e faltam doadores

10/01/2019 11:26
 
Barra do Garças atende 10 municípios da região, com um número de doadores que não consegue ultrapassar os 200 por mês
 
Necessidade de abastecimento em Banco de Sangue é constante e faltam doadores

Enquanto a reportagem recolhia informações no Banco de Sangue de Barra do Garças, quatro bolsas eram levadas da unidade de uma só vez. A saída é diária e a frequência de doações poderia ser melhor. Para suprir a carência, a equipe do Banco de Sangue tenta aumentar o número de voluntários através de campanhas e ações de conscientização. 

É uma média de 100 a 200 doadores por mês, segundo relata o assistente administrativo Renato Alves de Carvalho. A quantidade é inferior aos parâmetros recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O órgão aconselha a regularidade de pelo menos 1% da população como doadora, com meta para os 3%. O Brasil tem uma taxa de 1,6% da população.

Para chegar a marca mínima, Barra teria que ultrapassar, em muito, os 600 voluntários, correspondente ao percentual de seus 60,6 mil habitantes. Isso porque, o Banco de Sangue do município cobre a região, incluindo a cidade goiana Aragarças, que também solicita apoio da unidade. “São mais ou menos 10 cidades servidas por Barra do Garças, fora os hospitais particulares locais”, afirma Renato. 

Segundo o assistente administrativo, que é formado em enfermagem e trabalha no Banco de Sangue há três meses, os universitários compõem boa parte dos doadores constantes. Outros grupos de peso são o Exército Brasileiro, representado na região pelo 58º Batalhão da Infantaria Motorizada, e a Aeronáutica, que realizam campanhas com frequência.

Uma das preocupações do Banco de Sangue é em não deixar faltar o O- (O negativo), tipo universal que pode ser doado para receptor de qualquer tipagem sanguínea. Renato explica que, quando o caso é uma emergência e a equipe médica não tem certeza sobre o tipo do paciente, situação comum, o O- é a solução.

“Por isso, a gente não deixa a reserva de ‘O neg’ chegar no mínimo, de três a quatro bolsas”, diz. Ele conta que quando o O- está acabando, a unidade solicita bolsas à Cuiabá ou aciona os doadores desse tipo.

O O- é menos comum na região, segundo Renato, ao contrário dos tipos O+ e A+. Por isso, a unidade busca manter esses doadores cadastrados para que, a qualquer baixa no estoque, a reposição seja rápida.

Doação é segura, não afeta o corpo ou o sangue e pode salvar vidas

O próprio Banco faz campanhas de conscientização e mutirão de coleta, entretanto os momentos de pico de arrecadação ocorrem nas situações extremas. Sempre que há um paciente em estado grave no hospital, precisando de transfusão sanguínea, Renato conversa com parentes e amigos para que movam uma campanha em prol da doação. A ideia não é só repor o estoque, mas também garantir bolsas para os próximos pacientes.

Foi o que aconteceu em dezembro, quando a família de uma jovem, vítima de hemorragia, comoveu uma quantidade significativa de voluntários. O número de doadores nesse mês chegou a 200. No mesmo período, 155 bolsas foram usadas. A média, segundo o Banco de Sangue, gira em torno das 70 mensais.

Em uma situação semelhante, para ajudar um companheiro de farda, Alessandro Santana se tornou doador. Ele é soldado do Corpo de Bombeiros Militar de Barra do Garças e, há alguns anos, doa sangue de três em três meses. A primeira vez foi em 2015, quando um colega precisava de transfusão. Não tardou para que a prática se tornasse regular.

“Senti a necessidade de fazer algo a mais do que salvar vidas de maneira direta, no meu meio de trabalho como bombeiro. Então resolvi salvar vidas de uma forma indireta, vamos dizer assim”, revela.

O esteticista Yan Gonçalves também é doador frequente desde 2013. “Sempre quis. Aí quando completei 18 anos pude começar a doar.” Ele garante que o desconforto é só na picada da agulha. Depois, ao longo dos cerca de 20 minutos, tempo suficiente para encher uma bolsa de 450 ml, o doador não sente nada.

A partir da segunda doação, o voluntário tem direito a carteirinha de doador, que garante desconto de 50% em cinema, clubes e outras atrações. Outra vantagem é a isenção em alguns concursos caso o candidato tenha doado três vezes em um período de 12 meses.

A doação é segura, não afeta o corpo ou o sangue do doador, como dizem os mitos, e pode ser realizada no Banco de Sangue, localizado nas dependências do Hospital e Pronto Socorro Municipal Milton Pessoa Morbeck.

Procedimento para doação

O Banco de Sangue de Barra do Garças lista algumas exigências para que o voluntário doe com segurança.

Trazer documento oficial com foto (RG, CNH, Passaporte ou Carteira de Trabalho e o Cartão do SUS);

Sentir-se bem e com saúde;

Ter idade entre 16 e 65 anos (Candidatos com 16 e 17 anos, somente poderão realizar a doação com acompanhamento e autorização dos pais na data da doação);

Pesar igual ou superior a 50 kg;

Estar alimentado, evitando alimentos gordurosos, como frituras, salgadinhos, manteiga, ovos e outros;

Ter dormido pelo menos 6 horas;

Não ingerir bebida alcoólica 12 horas antes da doação;

Não ter sido exposto a situação de risco acrescido para doenças transmissíveis pelo sangue.