'Secretário não pode advogar, mas escritório pode', diz governador

12/03/2018 14:57

Governador Pedro Taques alerta que seu primo, Paulo Taques, enquanto chefe da Casa Civil, não poderia defender qualquer empresa, mas quanto ao escritório dele, não há impedimento.


 

Questionado sobre a suposta contratação do escritório do ex-secretário da Casa Civil, o advogado Paulo Taques, pela empresa Santos Treinamento, investigada na Operação Bereré por desvio de dinheiro do Detran, o governador Pedro Taques (PSDB) declarou que não haveria impedimento na possível contratação entre as empresas.

“O que essas pessoas falaram e o que eu li na imprensa, foi que o escritório do ex-chefe da Casa Civil advogava para eles. Agora se tiver algo errado tem que ser investigado. Chefe da Casa Civil não pode advogar, mas isso não significa que escritório não possa advogar”, observou o governador.

 

A contratação que teria ocorrido um dia após as eleições de 2014, quando Pedro Taques foi eleito governador, foi revelada pelo empresário Roque Anildo Reinheimer, sócio da Santos Treinamento, que supostamente era utilizada para o repasse da propina do esquema de desvio de dinheiro no Detran.“O que essas pessoas falaram e o que eu li na imprensa, foi que o escritório do ex-chefe da Casa Civil advogava para eles. Agora se tiver algo errado tem que ser investigado. Chefe da Casa Civil não pode advogar, mas isso não significa que escritório não possa advogar”, observou.

O governador destacou que sua imagem não pode ser ligada a esse caso.

“Eu não vou carregar carga que não é minha. Todos sabem que o escândalo do Detran, eu combati desde que era senador da República”.

No depoimento de Marcelo Costa e Silva à Defaz, consta que no final de 2014 o empresário foi chamado pelo sócio Roque Reinheimer para uma reunião em Brasília na casa de José Ferreira Gonçalves Neto, um dos sócios da EIG Mercados.

A empresa foi alvo da Operação Bereré, desencadeada pelo Gaeco em 28 de fevereiro, acusada de desviar entre 2009 e 2014, cerca de R$ 27,7 milhões dos cofres públicos, por meio de pagamento de propina.

“Eu não vou carregar carga que não é minha. Todos sabem que o escândalo do Detran, eu combati desde que era senador da República”, disse Pedro Taques.

 

Paulo Taques afirmou, porém, que quando exercia o cargo de ex-secretário-chefe da Casa Civil, reconhece ter recebido Roque Anildo Reinheimer em seu gabinete. Reinheimer teria dito que sabia que o escritório de Taques representava a FDL, que a empresa estaria o prejudicando e, caso não fosse ajudado, iria utilizar a cópia de um substabelecimento para prejudicar a gestão estadual.  Na semana passada, Paulo Taques negou informações  que foram feitas durante depoimentos e alegou nunca ter prestado serviços à imprensa EIG Mercados ou sua antecessora FDL  Serviços. Esclareceu ainda, que nunca recebeu procuração e nunca firmou contrato de assessoria jurídica com as empresas. 

Diante de todos os fatos ocorridos, Paulo Taques solicitou a presença de delegados no gabinete e denunciou as ameaças de Reinheimer, que foi levado pela polícia para prestar esclarecimentos.

Paulo Taques diz que está à disposição das autoridades para prestar qualquer esclarecimento necessário para as investigações do caso. 

Operação Bereré

A Operação Bereré trouxe à tona um esquema de propina que envolve a contratação da empresa para prestar serviços no Detran, após delação feita pelo ex-presidente do Detran, Teodoro Lopes, o Dóia. Também delataram esquemas no Detran o ex-governador Silval Barbosa e o irmão dele, Toninho Barbosa.

Conforme auditoria realizada pela CGE, o Detran tem condições de realizar sozinho o serviço, sem a necessidade de que a empresa esteja envolvida.

O Ministério Público Estadual (MPE) percebeu que houve movimentação financeira nas contas bancárias dos investigados na operação entre os anos de 2009 e 2015. 

Os envolvidos, segundo o MPE, utilizavam empresas para movimentação de dinheiro, emissão de cheques de pequeno valor com o objetivo de não chamar a atenção para o esquema de lavagem de dinheiro.

Denúncias apontam também que foram feitas transferências e compensação de cheques entre firmas de membros da família e da própria família, além de envolvimento de empregados como destinatários de transferências ou cheques.