Soltura de peixes recém-nascidos nos rios é adiada, em Barra do Garças

20/02/2018 10:55

Projeto não obteve licença, pois não atendia a exigências de órgãos ambientais

Foto: Reprodução 
Soltura de peixes recém-nascidos nos rios é adiada, em Barra do Garças

Foi adiada a soltura de 20 mil alevinos, peixes recém-nascidos, nos rios Araguaia e Garças, que ocorreria na terça-feira (20). Segundo a Secretaria de Pesca, o projeto da empresa que faria o fornecimento dos filhotes não obteve licença ambiental para realizar o serviço. O evento será remarcado, mas ainda não há previsão de quando ocorrerá.

Segundo nota da Secretaria de Pesca e Aquicultura, a administração, junto a empresa Águas de Barra do Garças, patrocinadora da soltura, decidiram cancelar o evento, que ocorreria amanhã. A empresa contratada para fazer o serviço de fornecimento dos alevinos não conseguiu, em tempo hábil, apresentar a documentação exigida pela legislação ambiental.

Segundo o secretário Paulo Henrique Fernandes Borges, o ato não é ilegal, mas requer o atendimento a critérios técnicos para que não signifique prejuízo ao meio ambiente. Por telefone, o secretário disse ao Semana7 que o projeto deve seguir todas as orientações dos órgãos ambientais, para que obtenha licença.

Ato simbólico

O projeto, chamado de “Repovoar para não acabar” foi lançado na semana passada pela Secretaria de Pesca e Aquicultura. Toda a população foi convidada para o ato que teria como objetivo sensibilizar e conscientizar sobre a necessidade de se preservar a vida aquática.

Na manhã de hoje (19), o projeto recebeu críticas da Frente Popular Rios Vivos (FPRV), que questiona seu objetivo. Segundo análise do grupo, como uma ação de recuperação ou contribuição à fauna aquática, a soltura de 20 mil alevinos não tem nenhum efeito.

“Quando se fala de reprodução de peixes, essa quantidade não é significativa. Corresponde à desova de meia dúzia de peixes, a depender da espécie. Há espécies em que um único exemplar gera 20 mil alevinos”, disse a nota publicada na Fanpage do FPRV.

Segundo o grupo, que é composto por diversos segmentos da sociedade, inclusive especialistas em diferentes campos científicos, a recuperação da fauna dos rios depende de uma série de fatores. A nota cita a vazão dos rios, a conservação das florestas e das matas ciliares, bem como a existência dos lagos marginais, elemento importante para a reprodução dos peixes.

“É preciso estar claro que do ponto de vista ambiental e ecológico o ato em si em nada ajuda, é apenas simbólico, não vai alterar a população de peixes dos rios. Dos vinte mil alevinos soltos, pouquíssimos alçarão a idade adulta.”

Para o grupo, o evento é bem aproveitado como um ato simbólico, que busque alertar sobre a devastação da fauna aquática e mostrar a importância da preservação das espécies nos rios. “Uma ação simbólica, de repercussão pública, pode ser de grande valia como ferramenta ecopedagógica no despertar da consciência ecológica.” O FPRV pede que o valor do ato esteja explícito e claro a todos.